Como Za’atari virou uma cidade

“Afinal das contas, são sírios. Não era de se esperar?”

Essa é a mantra que se ouve entre especialistas em assistência humanitária, representantes de ONGs, funcionários da ONU e outros que trabalham com refugiados sírios na Jordânia. É assim que se explica como o campo de refugiados mais grande, bem, o único, parece mais com uma cidade do que um campo destituído no meio do deserto, o que realmente é.

Zaatari… deThe Levant Post – Jordan

Apresentação de Zaatari:

  • População: na faixa de 70,000. Todos dão um número diferente, mas essa é a média.
  • Indústria: Comércio de produtos subsidiados (por exemplo, um cobertor que custa 12 JD – equivalente a R$30 – fora do campo foi distribuído aos refugiados gratuitamente e agora é vendido por JD 2 – uns R$5 – que representa um lucro enorme).
  • Avenida principal: Uma fileira de barracas com lojinhas em frente, ou seja, o souq árabe ubíquo: uma feira. Há pouco que não se encontra nesse mercado.
  • Problemas sociais: Ninguém sabe exatamente qual a taxa de violência doméstica ou abuso sexual dentro do campo, mas em toda probabilidade é bem alta; centenas de moços adolescentes desempregados e agitados cria potencial de delinquência.
  • Atrações turísticas: Grupos de costura de mulheres que foram estabelecidos por ONGs e agora produzem lindos produtos de bordagem; a escola que foi ocupada por refugiados quando águas encheram suas barracas; crianças andando por aí em roupas velhas e sujas.
  • Como chegar: Para ser sincera, melhor nem tentar. Eu nunca cheguei a visitar Za’atari; fui à cidade mais próxima, uns 8 km do campo, mas me disseram que não tem como entrar se não tiver permissão ou um sorriso lindo para paquerar. Eu teria maior potencial de sucesso com a permissão do que com o sorriso, mas isso não era grande.

Bem, inúmeras pessoas estão conseguindo desviar do sistema. Permissões falsificadas? Homens com sorrisos esmagantes? Ou talvez os homens conseguem fazer com o dinheiro aquilo que as mulheres fazem com os sorrisos… Enfim, comerciantes jordanianos vão e vem, comprando e vendendo. Eles trazem ao campo os produtos que não são distribuidos: especiarias para cozinhar, equipamento eletrônico com baterias, maquiagem para as moças. E saiem do campo com cobertores e butijões de gás, certamente ainda com as insígnias da ONU ou de alguma ONG bem visíveis, obtidos por um preço baixo que é até ridículo.

Eu acho fantástico (com a excessão desses problemas sociais que mencionei acima), e se os refugiados sírios terem que sofrer algum estereótipo, fico contente em saber que eles tem a fama de ser gente empreendedora que sabem aproveitar até de uma situação terrível.

uma lojinha de verduras em Zaatari, de um artigo em http://english.alarabiya.net/articles/2012/09/27/240461.html

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