Americana se mostrando como se fosse daqui… num café em Camberwell, Londres

Hoje fui trabalhar num café charmoso não muito longe da minha casa. Foi minha primeira vez – já havia passado em frente mas me parecia um pouco chique demais e senti intimidada, mas hoje montei a coragem e fui.

Primeiro, o nome do café é Love Walk Café (ou seja, Café Passarela do Amor – legal, heim?) e se você por algum motivo estiver no sul de Londres, deve fazer uma visitinha lá. Foi tremendo! Décor ecletiquíssimo que quase chegou mas não chegou a distrair, e café fantástico (na minha opinião só – não posso representar as preferências dos diversos peritos de café). Não comi nada, mas as pessoas comendo ao meu redor pareciam estar bem contentes.

Mas tive um momento fantástico no café. Uma família de quatro estava atacando quatro cafés da manhão reforçados quando cheguei. Uma mãe, um pai e dois menininhos loirinhos daquela idade que não tem como ficar parados. Pelos sotaques, era óbvio que eram ingleses.

Ao começarem a preparar para partir, chamaram uma garçonete e o pai perguntou, no seu sotaque inglês certinho, como chegar no Aquário de Londres. Explicou que vieram de fora da cidade e sabiam que ficava próximo a Waterloo mas não tinham certeza como chegar lá. A garçonete, num sotaque forte do Leste da Europa, pediu desculpas pois também não conhecia o bairro de Camberwell  então não sabia orientá-lo com respeito às rotas de ônibus. Ela voltou ao trabalho, o pai deu uma encolhida dos ombros, os meninos pularam nas cadeiras.

Eu ouvi cada palavra dessa conversa à distância de algumas mesas. Estava, na verdade, no outro lado da sala, mas mesmo assim deu pra ouvir tudo. Então consegui captar o olho do pai e chamei, no meu sotaque americano bobo (sim, é assim que os ingleses o percebem), que se queriam chegar no Aquário podia ir ao ponte de Westminster, mas que Waterloo também não era muito longe. Se fosse eu, andaria os cinco minutos até Camberwell Green e montava o Número 12, mas ele podia verificar as listas dos ônibus aqui em frente também pois vários outros ônibus iam naquela direção.

E ele me agradeceu.

E eu sorri, presumidinha pensando que eu já era uma local de verdade. Uma americana orientando um inglês a Londres.

E depois disso, acho que gostei mais ainda do café por estar tão satisfeitinha.

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