Sírios que me Inspiram – capítulo 4

Ela nāo é exatamente síria e, para falar a verdade, nem mora na Síria. Mas ela nasceu lá e foi criada lá, entāo acho que vale.

Conheci ela num táxi e essa viagem de táxi mudou minha vida. Depois de passar um tempinho no Oriente Médio, decidi que queria entender melhor esse fenómeno de Ramadā, entāo um ano participei no jejum do Ramadā. Sem comida nem bebida do nascer até o pôr do sol, todo dia durante um mês. (Confesso que caiu no inverno naquele ano, entāo os dias nāo eram longos demais e eu nāo passei sede demais. Nāo sei se conseguiria jejuar Ramadā este ano, pois cai no auge do verāo!) Entāo durante um final de semana durante Ramadā fiz uma viagem para visitar amigos. No Oriente Médio, um dos meios típicos de transporte interurbano é táxi dividido, pelo qual se paga por um assento no carro. Quando todos os assentos forem vendidos, o táxi parte para a cidade destinada. Entāo eu estava voltando para casa no táxi depois do meu final de semana fora, durante Ramadā, e ela era um dos outros passageiros.

Poucos estrangeiros jejuam durante Ramadā, entāo imagino que eu fosse um pessoa interessante para conhecer nesse dia. Ao menos, parece que ela me acho interessante. Nos entrosamos, ela me perguntando sobre o motivo do meu jejum e o meu parecer sobre a experiência do Ramadā, aí sobre o motivo pelo qual vim à Síria e o meu parecer sobre a experiência da Síria. Aí ela me contou sobre sua família, seus irmāos e pais. Sāo palestinos mas moram na Síria desde o estabelecimento do estado de Israel, quando o pai dela teve que deixar a casa em 1948. Ele foi um menino jovem na época. Se casou com uma síria e moram na Síria desde entāo. Mesmo assim, nenhum palestinos voltaram para casa até hoje.

Minha nova amiga era a mais velha entre suas irmās, mas tinha irmāos homens mais velhos. Um homem de um país vizinho vi ela num casamento ou outro evento, se apaixonou por ela, e pediu sua māo em casamento. Ele era de família boa, entāo os pais dela concordaram. Casaram e ela deixou a casa e a cidade onde viveu sua vida toda para ir à casa do marido, um homem que pouco conhecia e cujo família pouco conhecia a ela.

Agora estava num táxi a caminho de casa. Tinha planos para passar as últimas 2 semanas de Ramadā e o feriadāo que seguia com a família. O irmāo mais novo do marido dela lhe acompanhava, pois seria inapropriado ela viajar sozinha. Ela tinha só 5 meses de casada e eu, brincando, perguntou se ela iria engravidar logo. Ela disse que já tinha 5 meses de gravidez!

Adoro essa minha amiga, que chamarei aqui de Mara. Mara é vibrante, cheio de vida, e tudo na vida é para ela uma brincadeira – mas de maneira boa. Ela disse que era rebelde antes de se casar. Tinha emprego fora de casa e se recusou a cobrir a cabeça. Mas o pai dela insistiu que ela se comporte mais certamente entāo ela concordou no fim. Ela falou que ligaria para mim para fazer uma visita à família dela durante o feriado entāo dei meu número para ela, sem expectativa de que ligasse. Mas ligou sim. Tentei ir à casa deles mas me perdi no caminho entāo nāo cheguei, mas tentamos de novo e eventualmente eu conheci a família dela, que desde entāo me adotaram como se fosse filha.

Ela e as rimas brincam comigo sobre como me perdi naquele dia. Elas também brincam sobre o quanto amo o chá preparado pela irmā segunda-mais-nova. A irmā mais nova da Mara brinca que quer dormir do meu lado porque ela é meu predilecto. Mara voltou para casa depois do feriado mas a família dela manteve o contacto, e continuam a manter o contato até hoje.

Mas a Mara também me entristece. Visitei ele na casa do marido uma vez e nāo sei se está contente. Ela sente muito falta da família, sente falta da Síria. Ela tem dois filhos lindíssimos e ela os ama muito, mas todos parecem ser mais contentes quando ela está em casa com as irmās e irmāos e pais, na Síria.

o meu modo predileto de transporte na Síria, chamada de "Terteira"

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