Investindo num futuro duvidoso – migrantes atravessando o mundo

Uns dois dias atás, escrevi sobre como tantas pessoas sacrificam tanto para chegar ao Reino Unido, pensando neste país como a Terra Prometida.

Foto de um acampamento em Calais de http://img.timeinc.net/time/daily/2009/0912/360_calais_immigrants_1214.jpg

Falei das terríveis condiçōes que enfrentam na sua última parada, a cidade litorânea de Calais. Mas essa é somente uma parada numa série de destinos. Eis umas ilustraçōes… podem ser sobre centenas de pessoas em situaçōes parecidas:

Um jovem da África partiu da sua cidade natal quando conflito teve seu início a quase uma década. Ele foi por terra à costa norte da África e atravessou o Mediterrâneo por navio. Desde entāo ele rodou por cada país da Europa, passando na média uns três meses em cada parada. Ele fez trabalho de diarista por aqui e por alí, teve algumas oportunidades de estudoquase se concretizar, mas nada nunca se fixou. Até poucos anos atrás, ele nāo tinha notícias da família, nem sabia se continuavam vivos ou nāo. Ele finalmente pode fazer contato com eles e ficou sabendo que aqueles que ele mais ama estāo de fato ainda vivos, mas que a violência nāo diminuiu na vila deles. Mesmo assim, ele está contente que eles estejam já, e nāo vivendo essa vida de vadio.

– Um homem deixou sua casa há poucos meses, também por causa de violência. Lá em casa ele era professor de primeira série, mas agora a escola está fechada pois nāo seria seguro as crianças irem às aulas. Ele também deixou sua família enteira por trás. Sua viagem foi em parte terrena, em parte aérea, e em pequena parte marítima. Sendo que ele nunca teve um passaporte, sua única opçāo para fazer estas viagens foi através de suborno. Milhares e milhares de dólares foram gastos para que ele chegasse onde agora está, isso sendo sem dúvida a poupança dele e de outros membros da família dele. Ele está agora tāo perto, mas talvez nem consiga se aproximar mais. Seu inglês e francês sāo limitados, pois ele nunca precisou falar esses idiomas antes deste ano. Está aprendendo aos poucos como funciona esse sistema, e pode contar com a ajuda de alguns compatriotas que já tem mais tempo de migraçāo, que tem mais conecçōes, e que falam melhor o inglês. Eles formaram uma comunidade juntos e, de algumas maneiras limitadas, cuidam um do outro.

– Outro rapaz deixou seu país à procura de uma vida melhor há uns cinco anos atrás. Ele fala pouco francês, mas seu inglês é razoável, e esse é um dos seus principais motivos por querer ir à Inglaterra. Ele nāo consegue se comunicar com os francês e sente que é vítima de discriminaçāo. Por anos ele morou em outra cidade da França, trabalhando em projetos de construçāo que durassem até quinze dias. Nāo foi disso que ele sonhava, mas era uma vida. Mas, por causa da discriminaçāo, e porque ele quer tentar melhorar sua vida e poder enviar algo para casa para ajudar a família, ele agora está tentando ir rumo norte.

– Homem de família de origens asiáticos que morou na Inglaterra até recentemente. Sua família continua na Inglaterra e ele tenta voltar. Há anos atrás ele fugiu so seu país em guerra, e conseguiu chegar ao Reino Unido. Durante anos ele viveu contente lá, com um salário limitado e uma pequena família. Até que, um dia, ele foi mandado embora. Ele obedeceu mas sua família continua lá entāo ele está tentando voltar.

Essas sāo alguns dos tipos de histórias de esperança que encontrei entre os migrantes. Uma esperança desesperada, anciosa, até pequena. Mas mesmo assim, é esperança.

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