Burkina Faso: Reaçōes depois de 1 semana

(attn: já faz uma semana desde que escrevi isso…)

Aqui estou numa cidade pequena de Burkina Faso. Está chovendo lá fora. Ao entrarmos na cidade depois de uma jornada de quatro horas, o motorista comentou sobre como a terra é mais árida aqui no norte, do que era na capital da qual saímos faz quatro horas. Ele disse que quase nunca chora por essas partes, e logo em seguida começou a chover.

Mesmo assim, o que ele disse certamente parecia ser correto: a terra no norte tem mesmo mais marrom e menos verde do que no sudoeste do país, inclusive na temporada das chuvas. É até arrepiaste o quāo grande é a diferença que uma distância relativamente curta pode fazer – parece que transcorremos 260 km. Ao longo da viagem, o verde diminuía e o número de mulheres e meninas carregando baldes de água nas suas cabeças aumentava. Passamos por alguns pontos d’água, bombas com uma aparência que deu a impressāo imediata de ser obra de ONG, ou talvez um projeto governamental. Passamos por um ponto d’água e continuamos por pelo menos mais 2 quilómetros até passar pela última mulher se encaminhando sentido ele com seu balde vazio. Dois quilómetros é uma longa distância para se percorrer só para obter um balde d’água

uma bomba d’água numa aldéia

E como devem ser fortes as cabeças daquelas damas! Enfim, o meu respeito por essas mulheres burkinabé aumenta a cada hora, e quase nem tive oportunidade de falar com nenhuma delas. Mas a partir do momento em que pisei pé neste país, vi mulheres com nenezinhos amarrados nas suas costas fazendo tudo que eu já duvido ter forças para fazer, mesmo sem neném nas costas. Ah, como sāo uma gracinha essas criancinhas, com os dois pés aparecendo aos dois lados da cintura da mulher, aninhados segurinhos por um pano nas costas das māes. Mas suas māes! Elas andam de bicicleta e moto com nenzinhos nas costas. Hoje vi algumas mulheres lavrando no campo com nenés nas costas. E algumas mulheres indo catar água: nené nas costas e água na cabeça. E andando dois quilómetros indo e mais dois voltando.

Elas nāo aparentam ser patéticas, nem tristes, nem desamparadas. Elas nem me parecem ser muito pobres nas suas camadas de vestes coloridas. Elas me parecem ser práticas e pragmáticas… vivendo suas vidas e nada mais nem nada menos.

Olha que mulher forte!

Apesar da sua postura nāo ser uma que solicite a simpatia, mesmo assim sinto que devo me deixar ser levada por alguma emoçāo ao ver uma menina de 9 anos com um balde de 20 litros de água na cabeça, ou seu irmāo tentando manter umas dúzias de cabritos magricelas em ordem, ou a māe deles com a irmāzinha amarrada nas costas vendendo legumes na feira, ou até o pai deles sentado com seus amigos no sol caloroso depois de um longo dia de cultivaçāo.

Por outro lado, sinto até um pouco de inveja, me admirando destes aledeōes burkinabés que podem andar, ou sentar com seus rebanhos, durante horas e horas. Qual é aquela coisa linda que ocupa seus pensamentos durante o dia enteiro que os permite a ficar em pé com orgulho e um olher contente? Ou é que se encontra a beleza no fato de nāo sentir necessidade de pensar? Que maravilha seria da minha vida se minha mente pudesse se acalmar um pouquinho assim.

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