As multidōes das Olimpíadas

No meu último post escrevi sobre aquela grande coisa que fez das Olimpíadas uma experiência maravilhosa para mim. Bem, como geralmente é o caso, também tinha o lado nāo-tāo-bom:

Multidōes

Tenho um leve caso de fobia de multidōes, apesar de ter melhorado muito desde que primeiro vim a morar em Londres. Mesmo assim, quando, no dia 2 das Olimpíadas eu fiz uma caminhada pelo centro de Londres, sendo pastoreada pelas ruas junta com milhares de turistas, às māos de voluntários de colete cor-de-rosa gritando em megafones, nāo pude mais resistir à minha tendência ao pânico quando em multidōes. Foi mal, mas mal mesmo.

I didn’t get a picture of London’s crowds of people, but how about a crowd of books? One of the awesome things about this huge event in London is the side events, like this display of a life-sized labyrinth called “aMazeMe”, made out of 250,000 books. Bonus: it was designed by Brazilians. Woot!

Tinha pessoas por toda parte, e já que a maioria eram visitas a Londres, duas coisas aumentaram sua capacidade de me irritar: (a) eles nāo sabiam para onde iam, e (b) eles nāo tinha pressa nenhuma para chegar lá. Para alguém que já sabe para onde vai e gosta de chegar sem muita demora, dividir as calçadas com milhares e milhares de pessoas pode certamente provocar um ataque de pânico em multidāo. Só piorou ao descobrir que várias calçadas ou caminhos foram fechados ou redirecionados para facilitar o trânsito de pedestres. Certas áreas foram māo-única para pedestres, e outras foram completamente fechadas por um motivo ou outro. Entāo, pois, eu também nāo sabia para onde ia, mas queria mesmo saber!

Mesmo assim, foi edificante, estar presa numa manada de humanidade, ouvindo francês falado à minha direita, português em frente, uma língua eslava atrás de mim, um idioma de alguma parte do sul da Ásia à direita, e o sopro de algo turco passando por cima. Você já esteve preso numa multidāo de pessoas, aconchegado e cercado por pessoas, aí descobriu que cada par de pessoas falava um idioma diferente? Foi o torre de Babel, versāo 2.

O meu melhor momento daquela aventura no centro de Londres olimpíada, foi quando eu consegui causar um rebentamento de trânsito. Estava esperando com minha comitiva de gente desconhecida para o farol de pedestres abrir, mas nāo tinha carro nenhum se aproximando. Quando isso acontece, pedestres em Londres olham à direita e depois à esquerda, e se estiverem certos de que nenhum veículo se aproxima, atravessamos. Mas atravessamos apressadamente caso alguém apareça na avenida. Bem, entāo foi isso que fiz, como sempre faço. Olhei à direita e vi nenhum carro, olhei à esquerda e vi nenhum automóvel, entāo comecei a pular até o outro lado da rua, rapidinho como um coelhinho. Besteira minha, pois minha comitiva me seguiu… só que eles nāo seguiram com pressa nenhuma! Alguns segundos mais tarde, um carro, ainda mais um carro de policial, entrou no cruzamento. Puxa como ele ficou irritado. E o coitado do voluntário de colete cor-de-rosa com o megafone ficou envergonhado de ter fracassado na sua tentativa de manter sua encruzilha em ordem. Mia culpa.

Esta entrada foi publicada em adaptando a londres, viagem e marcada com a tag , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.