a vista da veranda – direita

Em seguida, virei minha cabeça à direita. Esses sāo nossos vizinhos de lado.

Isso mesmo… sāo posseiros. Uma família de nāo-sei-quantas-mas-devem-ser-muitos, morando na sombra de uma casa grande o suficiente para ser um pequeno palácio mas que foi convertido em escritório para três dúzias de funcionários e uma casa para quatro.

Ao longo deste último ano, mais e mais famílias se mudaram aos espaços vazios que tem dono rico mas que ainda nāo contstruiu casa no terreno. Muitas dessas famílias ricas moram no exterior. E muitas das famílias morando desses espaços sāo refugiados pela segunda vez: fugiram uma vez para morar nesta cidade, e depois fugiram a este bairro quando nāo sobreviviam mais no subúrbio distante ao qual foram originalmente relegados.

Passamos em frente desta família a cada dia, e pensamos que deveríamos fazer algo para ajudá-los. Se estivermos aqui para servir aos mais pobres de todos, nāo devemos fazer algo pelos sofridos logo na nossa cara? Mas há pouco que podemos fazer. Pequenas doaçōes parecem ferir sua dignidade, o que já é tāo frágil. Qualquer coisa grandiosa poderia atrair atençāo nāo-desejada e prejudicar nossas outras atividades. E além disso, se começássemos a ajudar esta família de forma integral, nāo seria a coisa certa fazer o mesmo peloas outras dúzias de famílias no bairro que, como eles, sāo posseiros do terreno onde moram? Se isso, talvez teríamos que fazer algo registro formal especial!

Talvez poderíamos proferir uma palavra gentil, um sorriso. Sim, acho que um pouco de simpatia entre vizinhos seria um bom começos. Mas eles nāo olham para mim. Nāo consigo captar o olhar deles, mesmo me esforçando.

E entāo viro minha cabeça mais uma vez para o outro lado da veranda, para contemplar a beleza do pôr do sol.

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