Uma Gringa na Alemanha… ah é, país de gringos

Recentemente passei um fim de semana na Alemanha, e lembrei que nunca tinha chegado a escrever nada aqui a respeito, entāo acho que é hora de retificar isso!

Seria politicamente-incorretamente-odioso dizer que me parecia que os alemāes continuam na penitência pelo Holocausto? Desde o momento em que pisei no solo daquele país, senti que todo mundo estava tentando com todo seu ser e esforço a ser o mais inclusivo e hospitaleiro e aberto possível.

E, sabe, a cultura alemā nāo tem fama por seu espírito aberto e hospitaleiro, entāo às vezes me senti um pouco desorientado com isso. Por exemplo:

Ao chegar, tive que comprar uma passagem de trêm do aeroporto até a cidadezinha onde meus amigos moravam, entāo fui ao balcāo de vendas e perguntei como comprar minha passagem. Com perfeita precisāo alemā, num sotaque exato alemāo, o senhor me informou da hora exata do trêm e em qual plataforma viria. Acho que ele tinha as informaçōes decoradas, pois nāo imagino como teria achado isso no computador tāo rápido.

Em seguida ele disse o preço e eu passei meu cartāo de crédito para ele. Ele sacudiu a cabeça e disse, do jeito que o estereótipo faz se esperar de um alemāo, que esta era uma compra à vista só. Este era um problema, pois ainda nāo tinha parado para sacar dinheiro de um banco eletrônico, e tinha deixado meus Euros em casa. Perguntei se cartāo de débito podia. Nāo: Dinheiro Só.

Entāo, sabendo da fama dos alemāes, conclui que nāo tinha flexibilidade a tratar deste assunto e perguntei se ele poderia me direcionar a algum lugar onde poderia sacar um dinheirinho. Me conformei ao fato que nāo chegaria a tempo para pegar meu trêm e teria mais demoras.

E, sabe o que ele fez? Ele pegou meu cartāo de crédito e processou o pagamento como se isso nunca fosse problema. Esta gentileza foi maior ainda para mim ao reconhecer que, sento que eu só falo umas 3 palavras em alemāo, esta conversa estava acontecendo na minha língua, e nāo a dele.

Entāo concluí o seguinte a partir dessa experiência, e outras como ela: As regras sāo as regras. Mas a regra mais importante de todas é que nāo se deve parecer ser… bem, ser alemāo demais.

Era claro que, às vezes, este tal de hospitalidade era difícil para o povo. Tentavam, mas nāo era fácil. No aeroporto ao partir, tinha que comprar umas coisinhas e estava, outra vez, meio desorientada, entāo acabei comprando cada ítem em uma loja duty free diferente. Cada vez, o vendedor falava comigo em alemāo e eu respondi em inglês, tentando pedir perdāo com meu tom. Aí eles trocaram para inglês, por uma frase. Logo em seguida ele diria algo diferente… em alemāo. Era que eles nāo conseguiam se lembrar que sou estrangeira, ou é que falar minha língua era incrivelmente difícil para eles? Mas achei simpático o fato que tentavam.

Mesmo assim, Alemanha cumpria todas as minhas expectativas daquela cultura em certas maneiras: os trens e ônibus eram tāo pontuais que se podia chegar na estaçāo 30 segundos antes do horário marcado para o transporte chegar, e ter 99% de confiança de que dentro de 30 segundos estaria sentado em um veículo quentinho e confortável. As ruas eram limpíssimas e as casas organizadinhas. A maioria dos prédios no bairro onde fique eram novos, mas mesmo assim, sua arquitetura era em bom gosto e me lembrava de pinturas do século anterior. Tudo, de certa forma, funcionava.

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