Testemunhos de Jeová: Confirmando mais uma vez que estou na Inglaterra

Se você nāo mora no Reino Unido, ou Estados Unidos, ou Brasil, ou outro país “Ocidental”, provavelmente nāo sabe sobre a tradiçāo de evangelizaçāo de porta-em-porta. Isso é quando pessoas vāo de casa em casa tentando começar conversas religiosas, com o objetivo de atrair novos convertidos ao seu grupo religioso. Às vezes os evangelizadores também param pessoas na rua para conversar. Alguns grupos religiosos sāo mais famosos por fazer isso: Testemunhos de Jeová devem ser os mais conhecidos, mas Mórmāos e outros tipos de “Cristāo” também participam da tradiçāo.

Se você mora num país que tem evangelizaçāo de porta-em-porta, espero que sinta uma gratitude pela liberdade religiosa que isso representa. Este fenômeno se encontra em certos lugares só. Nāo sei exatamente quais paises tem e quais nāo tem, mas sei que durante a última década que morei em uma dúzia de paises diferentes, nāo tive essa experiência. E é verdade que passei a maioria desses anos em lugares onde os cidadāos nāo tem liberdade para falar abertamente sobre conversāo religiosa. Acho que existe um vínculo: Nāo quero nem pensar o que certos governos fariam se alguém começasse a bater nas portas falando de Jesus!

Entāo, quando duas mulheres e uma menina tocaram a companhia da minha casa e perguntaram se tenho esperança pelo futuro, percebi certas coisas sobre mim: Estou afinal de volta no “Ocidente”, e morando numa casa. E, trabalho em casa. (Essa segunda observaçāo é relevante porque imagino que seja possível que tenha morado em lugares com evangelizaçāo de porta-em-porta mas sempre estive trabalhando na hora em que tocaram a companhia.)

The pamphlet given to me by the Jehovah's Witnesses Women

O pamfleto que recebi das Mulheres Testemunhas de Jeová

Uma socióloga cristā, temo dizer que tinha muito pouco interesse naquilo que elas diziam. Na verdade, achei graça no fato que os informei que sou cristāo recém chegada na cidade e que estou à procura de uma boa igreja, e elas nāo pareciam achar isso uma boa notícia. Nem também ficaram dissuadidas de continuar com sua mensagem.

Uma socióloga cristā, porém, achei a própria experiência fascinante. Tudo me parecia encaixar dentro do estereótipo britânico, sendo que as mulheres pediram desculpas repetidamente por ter tocado na minha campanhia, e devem ter pedido uma dúzia de vezes minha permissāo antes de me mostrar um verso no seu pamfleto sobre o Fim dos Tempos. Devo ter me aparentada levemente interessada na conversa, e isso imagino representava muito mais interesse do que a maioria dos seus sujeitos. Mas ao invés de tirar vantagem disso e insistir na mensagem, parece que elas nāo acreditaram que eu poderia ter algum interesse e entāo me perguntaram, mais uma vez, a “só pensar no assunto.”

Pois é, estou na Inglaterra. Inglaterra o país com liberdade religiosa, onde mulheres podem ir de porta-em-porta falando de sua religiāo. Inglaterra o país onde ninguém realmente quer que as mulheres vāo de porta-em-porta falando de sua religiāo. Inglaterra o país onde as mulheres sāo educadas demais para de fato falar da sua religiāo.

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