Recuperei meu cobertor!

Quem vem seguindo minha vida pelos últimos tempos, já sabe que eu e meu equipe de trabalho passamos por uma experiência bastante complicada em um lugar que chamo de o Dar. Foi esta experiência que instigou todos os pedacinhos de transiçāo e mudanças de minha vida durante os últimos seis meses. Também é o motivo pelo qual fico, mesmo, admirada em ter aceito trabalhar neste país durante este mês. Fui, e continuo sendo, realmente um pouco traumatizada.

Mas estou muito contente em ter voltado, e de muitas maneiras essa viagem tem sido sarador. Hoje foi um dia de cura tāo grande que estou andando como se nas nuvens. Isso porque recuperei meu cobertor.

Há uma década atrás, minha amiga amada Amy veio me visitar na Síria, o primeiro dos meus lares que meus amigos consideravam ser ‘louco’. Ela se juntou com uma linda família que tinho com se me adotado, me deram um cobertor de penas no Natal. Nāo sei de onde veio a idéia de que um cobertor de penas era o que precisava, mas queria sim. E adorei. Morando nas dependências universitárias em Damasco, onde nossa vida foi simples e rústica além da imaginaçāo, às noites me aconcheguei na ternura do meu cobertor. Lutando para sobreviver o mestrado no Líbano no ano seguinte, relaxava no conforto de minha cama. Ao longo de cada grande mudança e transiçāo durante a década que segui, enfiava meu grande cobertor de penas na minha mala, desembarquei no aviāo, e consegui rapidamente fazer um lugar novo parecer como casa.

Quando ocorreu esse evento complicado no Dar, todos meus pertences estavam lá mas era impossível pensar em voltar. Depois de um pouco de imploros, um colega que estava no Dar empacotou duas caixas enormes com os meus pertences junto com as coisas de três outras mulheres sem condiçōes de viajar. Foi impressivo como ele recuperou tudo, até velhos cartōes de aniversário. Só tinha dois ítens perdidos: uma caneca que foi presente de um grande amigo no Brasil, e meu cobertor.

Ah, como chorei e chorei. Estava precisando de uma desculpa para chorar, e a experiência de cavar por todas minhas roupas velhas sem encontrar o cobertor levou a lágrimas que estavam precisando ser soltas.

Depois de uma semana, outro colega viajou ao Dar. Pedi se ele procurasse meu precioso. Ele voltou com cosinhas perdidas por outros, mas sem nada por mim. Disse que tinha encontrado o cobertor mas era grande demais – o que simplesmente nāo é verdade. Encolhe bastante para ocupar um espaço pequeno. E naquele momento as lágrimas voltaram e decidi que isso veio como sinal de Deus. Um sinal do que, nāo sei. Que devo sofrer uma vida de transiçāo constante pelo resto de minha vida? Ou que devo parar de me mudar pra cá ou pra lá e ficar em um lugar só? Nāo sabia, mas o tempo informaria.

Tinha desistido do cobertor, mas guardei uma leve esperança nos fundos do meu coraçāo que nesta viagem de um mês para o país mais próximo ao fonte do rio, que o cobertor achasse uma maneira de transversar o deserto, vindo do Dar para a cidade onde agora sento.

E hoje, uma colega boazinha generosa e benevolente viajou do Dar para esta cidade, e ela entendeu a importância dos sentimentos. Entāo ela o trouxe com ela.

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