O que é essa coisa de ocupaçāo?

Voltei há pouco de uma viagem de trabalho meio intensa, e durante este fim de semana comecei a ler as centenas, ou melhor, milhares, de blogs que me esperavam. Sabia que essa coisa de “Ocupa” estava acontecendo: estava viajando mas nāo escondendo abaixo de uma pedra. Mas eu nāo fazia idéia de quanta emoçāo cercava essa coisa toda!

(peço perdāo, pois os links sāo todos em inglês)

Duas de minhas lindas amigas online postaram a respeito – elas tem perspectivas meio opostas do assunto: Esta realmente acredita no movimento, e esta nāo.

Aqui na Inglaterra, ninguém está me explicando direito se o Catedral de St. Pauls, e entāo a igreja anglicana, foi benevolente em permitir os protestadores ocuparem o terreno da igreja, ou se está se demonstrando ser capitalista malvada por nāo apoiar mais ativamente o movimento?

E… fiquei sabendo que isso está acontecendo em vários cantos do mundo! Todos os paises no tal de “primeiro” mundo, mundo “desenvolvido”, “norte global”, seja lá o que você quiser chamar… Aparente ocupaçāo agora tomou o lugar de primaveras árabes como o grande movimento deste ano!

E entāo? O que acho de tudo isso? Bem, talvez alguém lendo este blog tenha curiosidade de ouvir minha opiniāo, entāo vou tentar ter uma. A verdade é, porém, que até agora nāo achei desejo dentro de mim de ter uma reaçāo forte, nem em prol nem contra. Mas, eis alguns pensamentos:

1. Acho que o número de 99% é uma expressāo enviesada de victimizaçāo. Nos paises onde Ocupa está acontecendo, a maioria das pessoas vivem uma vida decente. Li em um dos artigos referidos acima que desemprego entre jovens nos EUA é 15%. Tudo bem que seja 15% mais do que deve ser. Mas é MUITO menos que 99%. Existem paises onde 99% talvez seja um número justo que represente o número de pessoas-normais que nāo-tem-chance-na-vida… mas esses paises sāo… como dizer? Acho que esses paises nāo sejam ricos o suficientes para ter protestos Ocupa.

2. Pois é… me parece que existe algo ineremente privilegiado sobre Ocupa. Nāo sei exatamente o que é, mas para mim nāo capta necessidade ou sofrimento verdadeiro. Para mais alguém lendo isso, essa parece ser uma atividade para alguém de família de classe média-alta que acho que teria um emprego lhe concebido assim que formasse da faculdade, mas entāo nāo foi dado o emprego, entāo decidiu culpar os capitalistas? Por favor me corrigem se estou vendo isso de uma perspectiva lascada…?!

3. A própria palavra ‘ocupa’ nāo cai bem comigo. Sendo uma trabalhadora humanitária no Oriente Médio, ocupa é o que militar americano fez no Iraque, o que Israel faz na Palestina. Nāo sāo coisas que nós queiramos fazer, sendo jovens progressivos. Sei que isso representa uma ironia sútil, mas para mim nāo tem graça.

4. Como talvez indiquei no parágrafo anterior, sinto que esse deve ser meu povo. Sinto que devo me relacionar com eles porque eles se encaixam na minha demografia socioeconômica. Entā quero entendê-los.

5. Embora eu ache esse movimento irritante e de fácil-crítica, também tenho que admitir me agradar em saber que existem pessoas se expressando contra a gula empresarial. Quer dizer, realmente é ridículo pensar em algumas das coisas que fazem esses tais ‘capitalistas’!

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