gratitude pela coisa certa

Alguns anos atrás, escrevi uma redaçōes fictícias tentando entender a realidade da vida de refugiado – Iraquianos na Síria no auge da crise, para ser exato. Nesta históriazinha que apresento aqui, um jovem que fugiu do Iraque com sua família e tomou posse do título homem-da-família, conversa com uma representante de uma agência humanitária que deu umas formas de ajuda simples à família dele.

Obrigado, 9 de setembro de 2008

Ahlan wa Sahlan. Seja bem-vinda. Tafadal, Tafadal, Esteja em casa.”
“Obrigada.”
“O que posso servir prá senhora? Chá? Água? Coca?”
“Nada, mas agradeço. Esta é somente uma visitinha curta.”
“A senhora nos honra com sua presença hoje.”
“Só queria passar para ver como vāo as coisas com vocês. É uma visita rotina.”
“Que isso? Vocês sāo muito bem-vindos no nosso lar. O que vocês fizeram por nós é incrível. Minha irmā está adorando o curso de cabeleireiro que está fazendo. Estamos todos com a expectativa de que no ano que vem ela consiga um emprego no salāo da rua. Isso vai fazer uma diferença tāo grande.”
“Verdade? E vocês estāo conseguindo pagar o aluguel só com o seu salário?”
“Ah nāo. Minha māe também trabalha. E minhas irmās a ajudam a atender a pedidos de costura. Os pedidos de costura rendem pouco mas é alguma coisa. Mas mesmo assim, sabe… Nāo é suficiente. Continuamos tentando.”
“Vocês estāo aqui há um ano e meio, é isso?”
“Saímos de nossa casa no Iraque no dia 17 de março de 2007..”
“E estāo morando nesta casa durante esse tempo todo?”
“Nāo. Esta é nossa terceira casa desde que chegamos. Mas o aluguel é bem mais em conta do que nas outras duas entāo a nossa vida melhorou.”
“Vocês moram no bairro de Masaken Barzeh desde que chegaram?”
“Sim. Minha māo tem uma prima que mora aqui, e ela nos ajudou no início.”
“E o seu pai? Continua no Iraque?”
“Nāo. Ele faleceu. Bomba de carro.”
Allah Yarhamhu. Que Deus tenha misericórdia da alma dele.”
“Obrigado.”
“Entāo, de acordo com o que temos anotado aqui, você mora com sua māe, sua avó, duas irmās e um irmāo.”
“Correto.”
“E você é o mais velho?”
“Sim.”
“Tem quantos anos?”
“Dezoito.”
“Isso é bastante responsabilidade.”
“Nāo paro para pensar muito a respeito disso.”
Allah Ya’atik al Afia. Que Deus te fortalece.”
“E a senhora também.”
“Entāo diga, o que podemos fazer por vocês?”
“Vocês sāo as primeiras pessoas a nos ajudarem com qualquer coisa. Nāo poderia pedir mais nada. Como disse, minha irmā está contentíssima com o curso. E agradecemos os ventiladores que nos deram, pois este verāo foi calor mesmo. E os cupons pelo óleo para aquecer a casa e os cobertores, pois o inverno também foi bem difícil. Mas, mais do que qualquer outra coisa, acho que o fato da gente finalmente saber que existe alguém que se importe, que alguém esteja tentando ajudar. Foi disso que mais precisávamos.”

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