Eu já me virei “Londrina”? Isso foi rápido.

Morei no Reino Unido durante três anos antes de me atrever a entrar na cidade de Londres. Muitas vezes falei para pessoas que eu amava a Inglaterra mas que Londres me dava arrepios.

Isso tudo por causa de uma experiência infeliz que tive na minha primeira visita a este país, muitos anos atrás. Tinha uma escala infame no aeroporto de Heathrow que durou das 07hs até as 20hs. Achei que seria a oportunidade ideal para ver esta cidade histórica conhecida, entāo ao chegar em Heathrow, passei pela fila da imigraçāo e descobri como pegar um trêm ao centro de Londres. A memória daquilo que aconteceu ainda me dói hoje, entāo vou pular os detalhes e resumir: Apesar de ter chegado na cidade sem problemas, nāo consegui descobrir como voltar ao aeroporto. Nāo achei ninguém a quem pudesse perguntar, e as pessoas às quais tentei perguntar eram rudes e nāo ajudaram em nada. Comecei a jornada de volta com muito tempo a sobra, mas mesmo assim só cheguei no aeroporto depois deles tirarem minha bagagem do aeronave, e assim fui forçada a pagar uma boa taxa para remarcar o vôo. Dormi no aeroporto, exausta e envergonhada. E, naturalmente, quando finalmente cheguei no meu destino, descobri que Heathrow havia perdido minhas malas.

Demorou muito tempo até que eu superasse o meu medo de Londres.

E agora moro nesta cidade. Ela nāo me assusta como antigamente, e sei que é o lugar certo para mim a esta altura da minha vida, entāo aqui estou.

Entāo… ontem estava caminhando para algum lugar. Qual era meu destina nāo importa para esta história, o que importa é que eu TINHA um destino. E entre o atraso e o desejo de fazer um pouco de exercício – e por ter me adaptado aos costumes locais – estava andando RÁPIDO.

E foi aí que um homem de algum país da Ásia, já de certa idade, me parou para perguntar onde ficava High Stree Kensington. Isso foi próximo a Westminster Bridge, o que quer dizer, para quem conhece Londres, que ele nāo estava muito próximo a High Street Kensington. Ao meu parecer, ele tinha mais ou menos uma hora para andar até chegar lá. Ou ele podia lever o Tube, ou seja, o metrô, o qual foi minha recomendaçāo.

Ele parecia nāo me acreditar, afinal das contas ele já estava caminhando por um bom tempo e sentia que devia estar perto.

Eu senti mal – isso me lembrava um pouco da minha própria experiência de Londres naquele dia fatal no meu passado. Mas enquanto ele considerava essas informaçōes, ou eu tinha que abandoná-lo na rua para manter a minha marcha, ou eu tinha que parar. Até que consegui com que ele me acompanhasse durante uns cem metros, mas ele logo cansou dessa idéia.

E entāo eu o deixei por trás, perdido em Londres e cercado por pessoas nāo muito amigáveis, eu provavelmente sendo uma delas.

Ai de mim por saber como me navegar, saber como é horrível nāo saber me navegar, e ainda caminhar o mais rápido possível.

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