Essas Coisas Demoram? Demoram Quanto?!

Ontem, vi um artigo fascinante e provocante. Dá uma revistada boa, apesar de ser um pouco sobrecarregado político-economicamente, da história da América Latina. Se você tiver cinco minutinhos, por favor leia.

Também adorei que veio com uma foto da Pres. Dilma do Brasil sendo questionada numa tribunal militar:

O que nāo gosto sobre este artigo é que, embora seja da noticiária árabe al-Jazeera, me parece meio paternalista dizer ao mundo árabe que deve, basicamente, “ser paciente pois essas coisas demoram”. Isso porque Pres. Dilma era somente uma moça em 1970, quando foi tirada esta foto após semanas de prisāo e tortura. Agora, ela já é adulta e é presidenta de um país tomando uma posiçāo de liderança no mundo.

A mensagem é que o mundo árabe nāo pode se esperar recuperar de ditadura militar de noite pro dia. Paises latino-americanos, como Brasil e Argentina, só estāo surgindo como líderes globais economicamente independentes, após décadas de luta – democracia foi incialmente declarada nesses paises nos anos 60, e só hoje estāo colhendo os frutos.

Será que o autor do artigo esqueceu que a Democracia foi declarada nos anos 50 no Oriente Médio? Esqueceu aquele país nacionalista, do povo e pelo povo, que era o sonho de Gamal Abdel Nasser no Egito? Esqueceu da série de golpes na Síria, cada um tentando repôr uma democracia fracassada com uma que conseguiria representar o povo?

Será que o autor do artigo decidiu ignorar a existência de uma comunidade intelectual árabe exilada que prospera ao redor do mundo enteiro, escrevendo e advogando e tendo sucesso em quase tudo, com a excessāo de efetuar paz e justiça duráveis nos seus paises de origem?

Sim, essas coisas demoram sim, e esta é uma liçāo importante para meus amigos egípcios de 22 anos que estāo sentindo certa frustraçāo que a vida nāo melhorou justo no dia depois que o Mubarak renunciou. Mas seus pais, e provavelmente seus avôs, já sabem muito bem disso e com certeza já tem o direito de ficar impacientes. O Oriente Médio já investiu muito tempo. Tanto quanto muitas terras doloridas da África cujos povos pedem liberdade há décadas.

Vai ser preciso mais e mais pressāo, mais e mais persistência, e muita sensibilidade cultural para descobrir como fazer esse tal de ‘democracia’ em uma cultura bem diferente daquelas onde essa filosofia política foi inventada.

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