Conhecendo Luto

Prezados amigos culturlaçantes,

Que vergonha, deixando passar mais de dois meses desde o meu último post em CulturLaçadas! Alguém tão viciada em escrever como eu não deve jamais deixar passar tanto tempo passar sem escrever nada, e não posso me chamar de blogueira sem fazer nada no mundo dos blogs.

Eis o resumo do meu silêncio:

Em julho, tinha bastante coisa me deixando nervosa: uma possível oferta de emprego, incerteza no meu emprego atual, política interna entre a equipe, e o transtorno típico da minha vida. E para ser sincera, estava curtindo bastante a vida em Istambul – cidade mágica!

Em agosto, pensei em atualizar Culturlaçadas, mas tinha uma emoção esquisita: Senti nem um tintinho de pouca vontade de escrever! Não queria escrever nada que não fosse necessário no trabalho.

Agora já chegando no final de setembro, o meu tema do mês é RESPIRE. Tem coisa demais acontecendo na minha vida agora, e tenho que me lembrar a respirar. Pensei que a minha saída da Turquia, e de trabalho em projetos da Síria me propulsionaria de volta a algum tipo de felicidade mono-cultural, sem graça nenhuma mas bem contente. Bem, não foi isso que aconteceu. Já culturlaçadora, sempre…

Neste mês comecei um emprego novo, continuei a fazer pesquisa sobre o Oriente Médio que requer chamadas pela skype com gente ainda bem no meio da crise, tratei de uma variedade de probleminhas pessoais, e – possível mais importante de tudo – tentei entender o que deve ser o meu relacionamento para com a Síria agora que não é mais meu emprego.

Durante o último ano, li alguns materiais variados sobre luto. Luto me descreve bem. Estou certamente de luto – mas luto pelo que? Estou lamentando a comida fantástica de Damasco, a hospitalidade célebre do povo sírio, e a vista da Monte Qasioun que é de tirar o fôlego?

Eis um vídeo de algumas das coisas que poderia estar lamentando:

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Ou será que estou sentino alguma vontande interna de entrar em luto em prol dos meus amigos, lamentando as casas deles, os empregos e as graduações das quais tiveram que desistir, e em alguns casos a perda de vidas amadas?

Ou será que é um sentimento de culpada de quem sobrevive? Estou de luto porque me sinto culpada que outros estejam passando por isso e eu não?

Ou será outra coisa que ainda não consigo resumir em palavras?

Bem, CulturLaçadas está de volta (apesar de que sem promessa de regularidade), e vai ser um pouco mais meditadivo por aqui. Estarei tentando entender o que quer dizer amar a uma cultura mas não fazer parte, amar um lugar de longe e testumunhar sua desintegração em cinzas, demonstrar carinho por amigos que vivem um pesadelo.

Obrigada por participar da jornada, Kati

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