Sirios que inspiram – capítulo 3

Na Síria, levam o árabe a sério. O meu motivo original de viajar para Síria foi a existência de institutos da língua árabe que ensinavam o árabe próprio e profissional. E nāo houve decepçāo. Descobri que existem vários institutos de árabe em Damasco e todos sāo bons. Eu estudei no que diziam ser o pior durante meu primeiro ano, mas mesmo assim aprendi muito árabe útil e profissional!

(pausando por um pequeno comentário sobre a situaçāo na Síria: É difícil imaginar uma possibilidade para o futuro daquele país depois dessa, emmm, bagunça, terminar, em que a qualidade de educaçāo de árabe, tanto para estrangeiros quanto para Sírios, será tāo bom quanto é agora. Você sabia que até os estudandes de pós-graduaçāo em engenharia continuam aperfeiçoando seu conhecimento linguístico e literário? Árabe é um curso requisito de estudo enquanto alguém continuar estudando na Síria. E com língua e literatura vem a cultura. Essa devoçāo ao árabe ajudou a formar um profundo senso de herança e cultura que temo está sendo perdido.)

Todos me diziam que a minha escola de árabe era fraca, e admito que depois de um ano me formei do curso mas ainda tinha muito a aprender. Entāo me transferi a outro centro de idiomas por alguns meses. E. Foi. DIFÍCIL. Entendi porque a minha escola tinha uma reputaçāo tāo fraca – era um voo leve em comparaçāo à gramática, ao vocabulário, e às técnicas escritas sendo ensinadas em outros institutos. Acontece que o árabe é uma língua muito, mas muito, difícil. Aprendi muito, quase fluente dentro de um ano e meio, mas acho que meu sucesso foi em grande parte devido ao fato de que eu nāo sabia o quanto deveria ser difícil.

Mas viajei um pouco do assunto. Um dos sírios que me inspiraram nesta história foi meu professor de árabe naquela segunda escola, a mais difícil. Assim como muitos árabes, ele era xará de Deus: tem Abdel-Rahman (adorador do Misericordioso), Abdallah (adorador de Deus), Abdel-Latif (adorador daquele que é Bom), Abdel-Aziz (adorador daquele que é Grande), Abdele-Karim (adorador do Generoso), e assim em diante. O meu professor era um desses, o chamemos de Abdel.

Ele era loiro. Sim, muitos Sírios sāo mesmo loiros. E existem muitos ruivos também. E mais ainda com olhos azúis. Os olhos de Abdel nāo eram azúis, mas ele era loiro e usava óculos pousados no seu nariz apontado. Era alto e magro, um cara esguio. Sua aparência geral comunicava a impressāo de que esse era um professor que levava seu trabalho muito a sério. Ele era como um torre acima de nós quando pulava de mesa em mesa, inspeccionando nosso trabalho. Ou, ele ficava lá em frente, alto, discursando sobre algum detalhe da história gloriosa do povo árabe, que era entrelaçada diretamente com a história gloriosa do islamismo.

Recordo que era dele que aprendi algo sobre Khartoum, o capital do Sudāo, com um nome que simbolizava as curvas do Rio Nilo pela cidade. Depois de me mudar para Khartoum, pensei muito no Sr. Abdel e a educaçāo que ele me concedeu sobre a liga árabe e as oportunidades econômicas em Khartoum. Ele também me ensinou mais do que jamais desejaria saber sobre a gramática árabe. Um poste de blog sobre a gramática árabe nāo se aproximaria a ser suficiente para explicar. Um livro sobre a gramática árabe seria pouco. Uma frase assim num poste de blog é uma desgraça… Essa admiraçāo pela gramática árabe é uma das coisas que aprendi do Abdel. Árabe é um idioma grande e magnificente. Seus alunos tem que trabalhar duro, e será um processo doloroso, mas certamente que valerá a pena.

Abdel foi um dos professores mais populares naquele instituto de línguas. Quando digo que era alto e loiro, por favor nāo interprete que ele era lindo. Era um nerd puro. Mas ele amava o árabe e tinha paixāo por ensinar, e seu entusiasmo enchia cada um de nós seus alunos.

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