Links de Segunda – Chegando ao coraçāo

Nos finais de semana, geralmente tento me atualizar com todos os blogs e sites de notícias que sigo, mas que nunca parece que tenho tempo o suficiente para seguir durante a semana. É por isso que nas segundas-feiras, tipicamente tento postar links em CulturLaçadas. Me mantém disciplinada para ler as notícias e seguir o que está havendo em nosso mundo de diversidade.

Entāo ontem, trabalhava para ler os mais de 800 artigos e blogs me esperando no Google Reader, tentando descobrir o que acontecia que valia ponderar mais. Estava pensando em dedicar os links desta semana à Síria. As coisas lá sāo difíceis, é um país muito querido para mim, e nāo podemos nos esquecer a continuar orando por essa terra preciosíssima.

Mas o meu coraçāo pesava demais para ler as notícias. Pensava naquilo que uma amiga me escreveu em um email na semana passada: “Obrigada por ser minha embaixadora a outras partes do mundo… Ainda nāo consigo me atrevar a assistir as notícias.” Sabe, ela tem razāo… os noticiários sāo de matéria pesadona.

Muitas vezes nāo percebemos o quanto as histórias comunicadas nas notícias sāo sérias, intensas e emocionais, pois sāo escritas de uma forma tāo prática. Mas elas contam sobre pessoas, vidas humanas. Pōe em língua prática uma realidade que toca na parte mais sensível do ser íntimo de pessoas. As notícias provavelmente devem nos levar a soltar lágrimas a cada dia – podem até ser lágrimas de alegria, mas pelo menos assim vivenciaríamos a emoçāo daquilo que as notícias estāo nos dizendo.

Entāo hoje, ao invés de notícias, estou postando um pouquinho de meu romance ainda-nāo-publicado, Sonhos na Medina, que segue as vidas de jovens sírias no processo de estudos universitários e auto-descoberta. Esta é a Síria que conheço e amo, que me inspira embora quebrante meu coraçāo com o sofrimento que vi lá. Oremos por esta terra.

Todas comeram com gosto, curtindo este café preparado especialmente para elas. Deu para sentir o amor e a energia que fluíram em cada prato preparado pelas māos de Rocsi. Dava a impressāo de que esta nāo era uma quinta-feira qualquer, era um dia especial. Elas todas se sentiam como estudantes de primeiro ano, visitando a Medina pela primeira vez. O mundo esperava para ser descoberto.

“Ouvi dizer que Jabal al-Sheikh é lindo nesta temporada. Devemos ir algum dia.”

“Sim! Eu só fui no Inverno, deve ser lindo no Verāo. Com uma brisa fria e seca.”

“Ruda, sua vila fica perto de Nahr al-Bared, aquele rio gelado onde o povo vai sentar quando faz calor? Ouvi dizer que fica perto de Latákia, é prȯximo da sua casa?”

“Na verdade, Nahr al-Bared fica mais perto de Hama do que Latákia.”

“Entendi. Nós conhecemos alguém em Hama?”

“Tinha uma menina que morava no corredor. Ela me convidou, uma vez, para visitar a sua vila, mas isso já faz três anos. Acho que nāo podia mais chamá-la, faz anos que nāo falo com ela.”

“Bem, entāo vamos mesmo para Jabal al-Sheikh, também deve ser bom.”

“É lindo mesmo. Nunca ouvi falar de Nahr al-Bared. Mas sei que vem gente do mundo inteiro para ver Jabal al-Sheikh.”

“Pessoas vem do Golfo para visitar Nahr al-Bared.”

“Mesmo? É lindo?”

“Nunca fui.”

“Nem eu.”

“Nem eu.”

“Afinal, meninas, Jabal al-Sheikh fica somente a uma hora de distância daqui. Tem vans que partem direto de Cham. Seria um passeio lindo.”

“Sim, podemos fazer um piquenique!”

“Podemos fazer saladas e comprar esfiha, e minha māe mandou uns doces da minha última visita à vila.”

“Que idéia fantástica! Seria lindo! Podemos convidar os rapazes, talvez queiram vir jogar bola. Aí podemos contratar uma van só pra nós.”

“Puxa, que legal! Eu nunca fui lá.”

“Entāo, vamos quando? Amanhā é sexta, estamos todas por aqui?”

“Ah, mas eu tenho que estudar amanhā.”

“Eu vou para a casa do meu tio.”

“Que tal, sábado?”

“Nāo sei, deixe-me ver.”

“Gente, já sei! Vamos fazer um piquenique aqui mesmo, na Medina. Esta semana. Jabal al-Sheikh talvez tenha que esperar até depois dos exames.”

“Sim, depois dos exames, antes de irmos todas pra casa.”

“Para sempre.”

“Ah, nāo me lembre nāo. Vamos fazer um piquenique, aqui mesmo na Medina.”

“Podemos levar nossos bicos de gás lá para a área com grama, fazer chá, levar aqueles doces.”

“Eu preparo uma comida especial!”

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