Gosto de pensar que eu conheço a nova Madre Teresa.

Uma “irmā” de verdade, 25 de julho de 2008 (local nāo-identificado, porque é assim que é)

Existe um convento nesta cidade com um pequeno número de freiras trabalhando dedicadamente para salvar o mundo, pessoa por pessoa. Elas nāo gostam de publicadade, entāo nāo direi muito sobre elas, mas achei que vocês gostassem de ler um pouco daquilo que uma delas uma vez nos contou.

Nosso centro é uma simples casinha que a igreja comprou há anos. Tinha umas dúzias de famílias cristās naquele bairro entāo a casa foi convertida em igreja para que as pessoas pudessem vir e orar e aí voltar pra casa. Fizemos aulinhas religiosas pelas crianças, mas foi só isso. Aí vieram os refugiados. Em pouco tempo tinham umas centenas de crianças querendo participar das aulinhas. Recebemos autorizaçāo da igreja para usar a sala de baixo da casa, ou seja, da igreja, pra fazer atividades com aquelas crianças e suas famílias. Desde entāo, oferecemos serviços sociais, médicos e educacionais, à medida que temos condiçōes.

O número de pessoas que frequentam nosso centro varia bastante. Em algumas semanas sāo poucas dúzias de famílias e em outras semanas, sāo centenas. Quando os provedores de serviços oficiais param a dar apoio, é que mais pessoas vem até nós. Muitas vezes os grandes fundidores dāo recursos aos provedores oficiais durante seis meses para distribuir comida ou algo assim, mas depois dos seis meses, as pessoas voltam para nós.

Já conhecemos muitas dessas famílias a anos. Mas nesse últimos anos, vimos uma mudança nelas. Elas vinham para participar de atividades, para companheirismo, talvez pedindo comida ou uma ajudinha prática. Agora eles vem até nós completamente quebrantados. Ao longo dos anos, temos acompanhado a transformaçāo. Muitos agora sāo tāo pobres que ficaram instáveis emocionalmente, e agora nāo tem mais condiçōes de lutar contra a pobreza. Outras fugiram de guerra e estāo cheias de memórias terríveis.

Nós somos somente poucas freiras e um equipe de voluntários. Fazemos o que podemos, mas nunca chega a ser suficiente para satisfazer a vontade das crianças. Elas querem atividades durante o dia todo, todos os dias, mas nāo temos como fazer mais. Temos terapeutas na no equipe de voluntários, e cada dia tem gente vindo pedindo aconselhamento. Alguns dos nossos voluntários sāo profissionais em psicoterapia, e porque formamos um relacionamento com os refugiados da comunidade ao longo dos anos, muitos de nós também podemos falar abertamente com eles. Este tipo de trabalho requer um investimento em relacionamentos, com vista no longo prazo. Agora pessoas vem até aqui de todas as regiōes da cidade, mas nāo temos recursos para nem pensar em abrir outros centros.

Também estamos nos focalizando nas necessidades de crianças deficientes físicas e abandonadas. Tem tantas crianças que estāo aqui sem ninguém, sem qualquer pessoa que se importe com elas. Uma menina que conhecemos veio com seu pai – foram só os dois que vieram do país deles. Quando seu pai faleceu, nāo tinha ninguém que cuidasse dela, nem até ninguém que a ajudasse a tratar dos restos do pai. Outro grande problema é necessidades médicas, especialmente para tratamento do câncer. Uma mulher que conhecemos sofre de câncer e tem quatro filhos. Está morrendo e nāo tem como acessar tratamento, entāo nos implora que cuidemos dos filhos dela porque se ela morrer e eles ainda estiverem com ela, eles vāo ficar sós. O nosso foco é nas necessidades das crianças, jovens e mulheres necessitadas. Queremos ajudar a todos eles, de qualquer lugar, de qualquer religiāo.

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