Antes que julgue… por Shanda

POST VISITA!! Quando encontrei o blog de Shanda, imediatamente achei ela ser uma pessoa que deveria seguir de perto. Afinal das contas, é possível que ela tenha morado em mais paises que eu! E suas histórias gritam de sabedoria, aquela sabedoria que vem de ter considerado algo cautelosamente e completamente. A história que segue foi postada primeiro no blog dela, mas senti que capturou a essência de CulturLaçadas tāo perfeitamente que pedi se ela me deixaria a re-postar aqui, e ela concordou.

Para quem lê inglês, visite ela em A Pause on the Path… vale a pena!

Antes que Julque
originalmente postado 19 de setembro de 2011, em A Pause on the Path by Shanda

Frequentemente questionei: como poderia a māe de Dulce Maria abandoná-la, ainda recém-nascida, no hospital? Como é que tantos nenéns sāo abandonados ao nascer?

Por que uma māe deixaria a unidade hidrocefálica do hospital, onde tinha uma cama providenciada e tratamento gratuito, levando para casa sua filha que poderia morrer logo sem receber tratamento?

Por que uma māe, à qual damos leito pela sua filha doente e desnutrida, optaria por dar o leite ao seu filho mais grandinho que já é saudável?

Por que uma māe permitira com que sua filha de onze anos dormisse com um homem mais velho para render somente um dólar por dia?

Por que essas māes nāo demonstram amor altruísta pelos seus filhos?

Muitas vezes a encontrar situaçōes como essas, joguei a cabeça ao ar com horror e espanto, pois eu nāo tinha como compreender. Mas, tenho que me perguntar: E se?

E se a māe de Dulce era uma māe solteira com outros filhos em casa? E se ela nāo tinha como investir tantos meses no hospital sem ver aqueles outros filhos? E se ela nāo tinha outros familiares que pudessem cuidar da família dela? E se ela tinha medo que seu marido ou namorado encontraria outra mulher na sua ausência? E se ela nem tinha como se alimentar durante o tempo que passaria no hospital?

E se a outra māe já havia perdido um filho e nāo podia nem pensar na possibilidade de passar semana após semana longe da família, cuidando de uma filha que provavelmente faleceria? E se o peso doloroso de perda, um fardo que ela já conhecia, era demais para ser revivenciado?

E a māe na vila à qual damos leite? E se ela quase nem conseguia juntar dinheiro o suficiente para alimentar o filho mais grande? Será que ela temia perder os dois e tinha que escolher? E se essa escolha foi manter o primeiro filho vivo, a custo do nené?

E, e a māe que vendeu sua filha? Nunca poderei desculpar isso. Mas… talvez… será possível que ela nunca tinha visto outro modelo de vida? E se ela também sofria na escravidāo e nāo tinha como escapar? E se esse dólar por dia era tudo o que tinha para alimentar os outros filhos ainda em casa?

Nunca vou entender. Mas antes que julgue, talvez eu deva caminhar um trecho nos passos dessas māes.

Talvez deva sentir a dor e o desespero de viver na extrema pobreza sem opçōes em vista. Jesus veio para ‘pregar boas novas aos pobres’. A palavra grega por ‘pobre’ é ptochos, que indica ‘desamparo absoluto, destituiçāo completa, aflito e angustiado’. Os ‘pobres’ nāo sāo somente os destituídos financeiramente, mas também sāo aqueles que vivenciam temporadas desesperadas e desamparadas.

A māe de Moisés foi enfrentada com circunstâncias terríveis, sabendo que seu filho seria morto pelos soldados do Faraó. Mas ela arriscou a própria vida o escontendo em uma cesta à margem do Rio Nilo. Ela tinha esperança no Senhor, o que ele honrou.

Eu talvez esteja enganada, mas gosto de pensar que muitas dessas mulheres na verdade fizeram as escolhas melhores possívels dentro daquilo que sabiam. E a māe que vendeu a filha, imagino que ela nunca tenha conhecido o amor e a esperança de Jesus.

Penso sobre muitas que já conheci, e peço perdāo pelas vezes em que podia ter falado do amor de Jesus mas nāo falei. A minha oraçāo é que Deus envie alguém para falar para elas sobre Jesus, para que elas tenham esperança.

E antes que julgue, que eu me lembre de todas as decisōes más que já fiz em minha própria vida.

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